quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Eu peço. Eu imploro. Me dê amor.

"Eu peço. Eu imploro. Me dê amor." Esta seria a frase perfeita para definir Vidas Amargas, em minha opinião, é claro. Baseado no livro de John Steinbeck, A Leste do Éden, Paul Osborn construiu um roteiro apartir das últimas 90 páginas das 600 que o livro possui. Ele fez um trabalho tão bom que, quem não leu o livro (assim como eu), acredita que o mesmo retrata apenas disso: Cal buscando o amor do pai.
A Leste do Éden, conta a história de Adão, um fazendeiro na região de Salinas, Califórnia, que se apaixona por Kate, que se sente atraída pelo cunhado Charles. Nove meses depois ela dá a luz a gêmeos: Aron, filho de Adão, e Caleb, filho de Charles. Não muito tempo depois, Kate abandona o marido e os filhos, e vai viver um mundo de luxúria. Passa-se um longo período, os gêmeos estão na fase dramática da adolescência, no período em que acontece a Primeira Guerra Mundial. E é ai que o filme começa.
Aron (Richard Davalos) é o filho favorito, que namora Abra (Julie Harris), que sente uma atração por Cal (James Dean) que retribui, e que busca conquistar o amor do pai (Raymond Massy). Esta busca pelo amor do pai que é a principal atração do filme, os desejos, faz com que nos identifiquemos um pouco também. Cal sabe que é uma pessoa ruim, e no decorrer da história, ele vai atrás da mãe, pois sabe que ela assim como ele é ruim. Aquele anseio por achar alguém igual, é angustiante. Mas é nas cenas de Cal e Abra que você realmente se emociona. A expressão de James Dean fica encantadora, aqueles olhos piedosos, buscando consolo, e amor. Na cena em que Cal, dá o dinheiro para seu pai, que ele conseguiu plantando feijão, é de chorar, e não é pra menos. A cena foi feita no improviso, mudada na hora por James Dean, ele deveria sair de cena depois que Raymond (seu pai na ficção) recusa o dinheiro, mas Jimmy abraçou Raymond, chorou, resmungou um "Eu te odeio" e saiu porta a fora.
Esta cena, ficou memoravél, até porque lembra muito a própria vida de James Dean, que não se dava bem com o pai. E assim também mantinha uma relação difícil nos bastidores com Raymond, que não gostava das atitudes de Jimmy.
O filme é simplesmente magnifico! Não há como não se emocionar. Elia Kazan fez um trabalho maravilhoso ao dirigir este filme, e deixando James Dean livre para sua improvisação. Elias é gênio. Não deixe de conferir.

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